Rastreamento
Colonoscopia e rastreamento do câncer de intestino: a partir de que idade?
Sem sintomas e sem risco aumentado, a campanha das sociedades médicas brasileiras indica começar o rastreamento do câncer de intestino aos 45 anos; o SUS prevê o teste de fezes (FIT) de 50 a 75 anos. Com pai, mãe, irmão ou filho que teve a doença antes dos 60 anos, começa-se aos 40 ou 10 anos antes do diagnóstico dele.
Médico responsável pelo conteúdo: Dr. Igor Reggiani Gomes · Médico · CRM-MG 76603 · Coloproctologia RQE 68974 · drigorreggiani.com.br
Publicado em 13 de outubro de 2026 · 5 min de leitura
Em resumo
- Rastreamento é testar quem não tem sintomas. Quem tem sintoma precisa de consulta em qualquer idade.
- Risco aumentado (doença intestinal, pólipos ou câncer anteriores, síndrome genética ou parente próximo com a doença): começa-se mais cedo, em geral com colonoscopia.
- Pai, mãe, irmão ou filho com a doença antes dos 60 anos (ou dois deles, em qualquer idade): começa-se aos 40 anos ou 10 anos antes do diagnóstico do parente mais jovem, valendo a idade mais precoce.
- Exame: a colonoscopia examina o intestino grosso por dentro. No SUS, o teste de fezes (FIT) é só a triagem de quem não tem sintomas; se der positivo, o passo seguinte é a colonoscopia.
- Retirar pólipos na colonoscopia ajuda a prevenir o câncer; a idade de início e o exame são definidos pelo médico.
Por que se fala em 45 anos para uns e 50 anos para outros?
As orientações divergem conforme a instituição. Para quem não tem sintomas nem risco aumentado, a campanha Março Azul 2026, da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), indica começar o rastreamento do câncer de intestino aos 45 anos. Rastreamento é fazer exames em quem não tem sintomas, para achar pólipos ou um câncer ainda no início.
- Campanha Março Azul 2026: público de 45 a 70 anos. Segundo a campanha, a faixa inicial foi reduzida de 50 para 45 anos.
- SUS: em maio de 2026, o Ministério da Saúde anunciou o teste imunoquímico fecal (FIT), que procura sangue invisível nas fezes, para pessoas sem sintomas de 50 a 75 anos.
- American College of Physicians (EUA): em 2023, sugeriu começar aos 50 anos.
- Entidades internacionais, como a American Cancer Society (EUA): a campanha brasileira diz ter adotado critérios dessas entidades, que indicam 45 anos.
Como as orientações divergem, a idade de início é decidida com o médico responsável, conforme a história de cada pessoa.
O que significa ter risco médio de câncer de intestino?
Risco médio é a situação de quem não tem sintomas e não se encaixa em nenhum destes grupos de risco aumentado:
- ter tido câncer de intestino ou pólipos adenomatosos (lesões que podem virar câncer);
- ter doença inflamatória intestinal (como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa);
- ter síndrome genética de risco, como a síndrome de Lynch;
- ter pai, mãe, irmão ou filho com câncer de intestino.
Segundo o Ministério da Saúde e o INCA, quem está nesses grupos é considerado de alto risco e costuma começar mais cedo, geralmente com colonoscopia. Quem já teve pólipos adenomatosos tem o acompanhamento definido pelo médico. Quem tem sintomas não faz parte do rastreamento: precisa de investigação médica em qualquer idade.
Meu pai, minha mãe, um irmão ou um filho teve câncer de intestino: com que idade começo?
Se o seu pai, sua mãe, um irmão ou um filho teve câncer de intestino diagnosticado antes dos 60 anos, ou se dois parentes de primeiro grau (pai, mãe, irmão ou filho) tiveram a doença em qualquer idade, o rastreamento começa aos 40 anos ou 10 anos antes da idade do diagnóstico do parente (o diagnosticado mais cedo, se forem dois), valendo a idade mais precoce das duas. Pai diagnosticado aos 50 anos: as duas datas dão 40. Parente diagnosticado aos 46: 10 anos antes são 36, que vem antes dos 40.
Esse critério segue diretrizes americanas (US Multi-Society Task Force). Se apenas um parente teve a doença e foi diagnosticado aos 60 anos ou mais, o médico define quando e como começar. Conte ao médico quem na família teve a doença e com que idade.
Rastreamento é o mesmo que investigar um sintoma?
Não são a mesma coisa. Rastreamento é testar pessoas sem sintoma nenhum, para encontrar pólipos ou um câncer ainda no início. Quem já tem sinais ou sintomas passa por investigação, que o INCA chama de diagnóstico precoce, em qualquer idade.
Por isso, quem tem sinal de alerta não deve esperar completar 45 anos nem usar o teste de fezes (FIT) no lugar da consulta: precisa de avaliação médica. Leia também: sangue nas fezes: quando procurar um médico.
Que exame é feito no rastreamento do câncer de intestino?
A colonoscopia é o exame que permite ao médico ver o intestino grosso por dentro, com um tubo flexível com câmera. Ela permite fazer biópsia (retirar uma pequena amostra para análise) e retirar pólipos na mesma hora. Mais sobre a colonoscopia.
Teste imunoquímico fecal (FIT) no SUS. Em maio de 2026, o Ministério da Saúde anunciou o FIT como teste de triagem do SUS para pessoas de 50 a 75 anos sem sintomas. Triagem é o teste feito em quem não tem sintomas, para separar quem precisa de um exame de confirmação. O FIT procura sangue oculto, invisível a olho nu, em uma amostra de fezes enviada ao laboratório. O sangue pode vir de pólipos, lesões pré-cancerosas ou câncer, mas também de outras causas. Um resultado positivo leva à colonoscopia, que confirma a causa. O FIT não substitui a colonoscopia e não serve para quem já tem sintomas.
A oferta do FIT depende da implantação em cada local. Para saber se ele já está disponível na sua região, consulte a secretaria municipal de saúde.
Por que retirar pólipos ajuda a prevenir o câncer de intestino?
Retirar pólipos ajuda a prevenir o câncer de intestino porque grande parte dos tumores começa em pólipos, lesões geralmente benignas da parede interna do intestino grosso. Retirar o pólipo antes de ele se transformar pode interromper esse caminho.
Nem todo pólipo vira câncer. A maioria dos pólipos adenomatosos (os que podem virar câncer) e dos serrilhados (outro tipo de pólipo, com aspecto diferente ao microscópio) não evolui para câncer, mas esses pólipos têm risco aumentado, principalmente os de maior risco (10 milímetros ou mais, ou com alterações das células vistas ao microscópio, como a displasia). Como é difícil saber qual vai evoluir, o médico avalia e costuma retirar os pólipos que encontra na colonoscopia.
O National Polyp Study é um estudo americano cujo acompanhamento de longo prazo, de até 23 anos, foi publicado em 2012. Entre 2.602 pessoas que tiveram adenomas (um tipo de pólipo) retirados na colonoscopia, houve 12 mortes por câncer de intestino, contra cerca de 25 esperadas na população geral. É um estudo observacional, sem grupo de comparação formado por escolha ao acaso, e a retirada reduz o risco sem eliminá-lo.
Como todo procedimento, a colonoscopia tem riscos: as complicações são raras (sangramento e, raramente, perfuração, mais frequentes quando se retira um pólipo). O médico explica isso antes do exame.
Quando procurar atendimento?
Consulte um médico se houver sinais que merecem avaliação, em qualquer idade, sem esperar a faixa do rastreamento:
- sangue nas fezes;
- mudança persistente do funcionamento do intestino;
- dor abdominal que não passa;
- anemia sem causa conhecida;
- perda de peso sem querer.
O INCA lembra que, na maior parte das vezes, esses sinais não são causados por câncer, mas só a avaliação médica descobre a causa. Por isso, não espere ver se passa: procure um médico. Veja mais em sangue nas fezes: quando procurar um médico.
Sangramento volumoso, dor forte na barriga, tontura, desmaio ou fraqueza intensa são urgência: vá a um pronto-atendimento ou ligue para o SAMU (192).
Como é fazer a colonoscopia na CEDRA?
A CEDRA faz endoscopia e colonoscopia em Ribeirão das Neves/MG (veja como chegar). A colonoscopia é feita pelo Dr. Igor Reggiani Gomes (médico, CRM-MG 76603, Coloproctologia RQE 68974) ou pelo Dr. Tomás Ferrão Paiva (médico, CRM-MG 76572, Endoscopia Digestiva RQE 69361).
O pedido médico é sempre exigido. A sedação é feita por médico anestesista, que acompanha o paciente do início ao fim. O acompanhante adulto é obrigatório, e não se deve dirigir no dia. O exame dura em média 20 minutos, e o paciente fica, em média, de 1 a 2 horas na clínica por causa da sedação. Veja também como funciona a sedação na colonoscopia.
O laudo e a explicação do que foi visto são entregues antes de sair; o resultado de biópsias é enviado quando fica pronto. O protocolo escrito de preparo vem ao agendar (veja o preparo da colonoscopia). O agendamento é pelo WhatsApp (31) 98326-8509. Por mensagem, trate só do agendamento: não envie sintomas nem dados de saúde.
Perguntas frequentes
Preciso fazer colonoscopia aos 45 anos, mesmo sem sintoma nenhum?
Não é uma obrigação, é uma orientação. Para quem não tem sintomas nem risco aumentado, a campanha das sociedades médicas brasileiras indica começar o rastreamento aos 45 anos, enquanto o SUS usa a faixa de 50 a 75 anos. O médico responsável define quando começar e qual exame fazer.
Meu pai teve câncer de intestino aos 50 anos. Com que idade faço o primeiro exame?
Com o pai diagnosticado aos 50 anos, começa-se aos 40: a regra é aos 40 anos ou 10 anos antes do diagnóstico do parente, valendo a mais precoce, quando ele foi diagnosticado antes dos 60 anos. O médico confirma o seu caso.
Se o teste de sangue oculto nas fezes (FIT) der positivo, já tenho câncer?
Não necessariamente. O FIT positivo indica sangue nas fezes, que pode ter várias causas, entre elas pólipos e câncer. O passo seguinte é a colonoscopia.
O SUS faz o teste de sangue oculto nas fezes?
Em maio de 2026, o Ministério da Saúde anunciou a inclusão do FIT (teste de sangue oculto nas fezes) no SUS para pessoas de 50 a 75 anos sem sintomas. A oferta depende da implantação em cada local: consulte a secretaria municipal de saúde da sua região.
Notei sangue nas fezes. Isso é caso de rastreamento?
Não. Rastreamento é para quem não tem sintomas, e sangue nas fezes pede consulta médica em qualquer idade, sem esperar a faixa do rastreamento. O INCA lembra que, na maior parte das vezes, esse sinal não é causado por câncer, mas só o médico descobre a causa.
Todo pólipo vira câncer?
Não. A maioria dos pólipos adenomatosos e serrilhados (dois tipos de pólipo) não evolui para câncer, mas eles têm risco aumentado. Como é difícil saber qual vai evoluir, o médico costuma retirar os que encontra na colonoscopia.
De quanto em quanto tempo repito a colonoscopia?
O intervalo é definido pelo médico conforme o resultado do exame. Depois da colonoscopia, pergunte ao médico que a fez quando repetir.
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- Colonoscopia dói? Como funciona a sedação
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Fontes
- INCA. Câncer de intestino (versão para profissionais de saúde)
- INCA / Ministério da Saúde. SUS adota novo exame para detectar câncer de intestino antes dos sintomas (2026)
- INCA. Câncer de intestino (versão para a população)
- Conselho Federal de Medicina. Campanha Março Azul 2026 alerta para o silêncio do câncer de intestino (SOBED, SBCP e FBG), 2026
- US Multi-Society Task Force on Colorectal Cancer. Colorectal Cancer Screening: Recommendations for Physicians and Patients (2017)
- American College of Physicians. Updated guidance for colorectal cancer screening of asymptomatic adults (2023)
- NIH Research Matters. Colonoscopies prevent colon cancer deaths (2012, sobre o National Polyp Study)
- Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. A indicação do exame é sempre médica.
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